domingo, 14 de março de 2010

Memórias de um Homem Infeliz (continuação)

Fechei a porta e lá dentro ficou o meu mundo real em que tudo nao faz sentido e que só eu é que percebo, ou tento perceber. Coloquei a mascara de falsidade no rosto, o sorriso falso, o olhar tranquilo falso, tudo o que fizesse dar a impressão que estava tudo bem, "O mundo do acreditável" como gostava de lhe chamar. E onde toda a gente ama viver.

Comecei descer as escadas, e lembrei-me da evolução( ou desevolução) do homem. A primeira vez em que homem chegou a lua, a bomba nuclear, musica moderna, o primeiro aviao, a primeira impressão, a primeira roda e a primeira fogueira.

Sim, é nessa época em que estamos, na época do fogo.

Em que as pessoas não passam de meros primatas um pouco evoluídos e limitados, em quem tem o fogo é o superior e o resto rende-se aos instintos mais primitivos para conseguirem sobreviver, sem darem conta que eles mesmo nunca passarão a ser outra coisa do que simples animais com pouca inteligência.

Reparou-se que estava praticamente a descrever a ele mesmo..."Alguem me chama."

- Estou a chamar-te a mais de cinco minutos, Está tudo bem consigo Senhor?- gritou uma voz feminina do outro lado da estrada.

Reparei que já estava a meio caminho do meu trabalho, e fiquei um bocado surpreendido em notar o quanto estava envolvido nos meus pensamento, que o meu corpo fez automaticamente o caminho habitual a que estava acostumada a fazer todos os dias. Olhei para o sitío de onde tinha ouvido o chamamento.

Já tinha reparado nela antes, quando voltava do trabalho, alegrava-me vê-la a ler o seu livro, estar no seu mundo sem ninguém a perturbar, sem a julgarem e mesmo a maneira de ela ser, ignorando que esta realidade cruel e fria existe, mas contudo, essas emoções pareciam ser genuínas.

A sua juba loira ondulava a cada passo seu e o brilho daquele olhar!Oh meu Deus, mas que brilho, grandes olhos azuis escuros, que dava a entender que nunca podiam encontrar tristeza e que ia ser sempre assim para sempre, olhar de quem vai ser criança para sempre.

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