terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Elementos

I

Planeta: Desconhecido

Ano: Desconhecido

Cidade: Desconhecida

- Vamos! Temos que ir! Isto vai explodir a qualquer momento! – Dizia Helena com uma criança de poucas semanas ao seu colo.

Helena era uma mulher linda.

Cabelos pretos, faces rosadas, lábios carnudos que transmitia serenidade, simpatia e felicidade. Mas naquele momento a ela estava assustada porque o chão em que estava de pé agora estremecia e toda a paisagem a volta da sua casa havia desaparecido dando lugar agora por lavas espessas que queimava, outrora, um lindo vale.

A cidade estava em ruínas, milhares de anos para erguer aquele que era considerada a maior das cidades do universo estava desfeita como um vidro partido em pequenos pedacinhos.

O porquê de isto acontecer foi o resultado de uma experiência falhada no sob solo, cientistas estavam a obter amostras do centro da terra e parece que subestimaram a mãe natureza, um dos principais deuses do templo sagrado daquela terra, e o resultado foi uma série de acontecimentos naturais no solo exterior levando em poucas horas a sua destruição total.

As pessoas estavam em pânico tentando cada um salvar se por si entrando em naves que encontravam.

Esta era a razão pelo qual Helena estava em pânico porque ainda estava em casa e o marido, João, estava meditando, sentado e de pernas cruzadas de olhos fechados.

- Ele é o escolhido! Tem a marca! Temos que salva-lo por favor.

- Tem calma mulher, o resto dos três escolhidos estão a chegar. Do que vale salvar o nosso filho, se um deles morrer? Ele fica sem destino e nada tem a fazer neste universo miserável.

Entretanto ouve-se na porta de entrada um som a ranger, João levanta-se rapidamente e vai abrir num ápice a porta de entrada, nisto entra uma pessoa fora do normal.Com dois metros e 50 centímetros de comprimento, negro, e com uns músculos que uma pessoa nunca há de sonhar ter na vida, abaixa-se e entra pela porta com uma mulher normal atrás dele.

Helena reparou que na mão monstruosa daquele enorme sujeito havia algo embrulhado por um tecido liso bordado a ouro, um bebé.

- Sou Arkani, chefe da legião gigante da parte norte da cidade. Espero que a sua chamada na seja em vão. – Disse com uma voz rouca

- O seu filho tem a marca? - Perguntou João.

-Tem. A marca da terra.


(continua)

Memórias de um Homem Infeliz

Revirava, e remexia.

Não sabia o que tinha, talvez aquele pesadelo que me assombrou durante a noite, em que acordei com lágrimas no meu rosto e com uma dor de cabeça que parecia ter ido ao encontro de qualquer coisa dura, levantei e olhei para o espelho.

"Infeliz" pensei.

Cara sugada pelo esforço do trabalho e pelas muitas noite que tinha estado a trabalhar. Olhos afundados e as olheiras que parecia ter o tamanho do mundo.

A raiva apoderou-se de mim como uma fera adormecida e que acabara de acordar ( não me perguntem porquê, porque nem eu sei) e comecei a destruir tudo a minha volta, de modo a aliviar esta tensão e a desligar me desses sentimentos que eu tanto odeio.

Até que por fim sucumbi e cai de joelhos e juntando as mão, chorei.

Senti que o mundo estava contra mim e eu contra o mundo. Nunca pensei chegar a este ponto.Em que olho para dentro do olhar das pessoas e vejo sempre a mesma coisa. A mesma rotina, o mesmo perfume, a mesma conversa de sempre, as mesmas perguntas de sempre.

Olho para essas pessoas com desdém e rancor, porque sei que sou uma delas.

Vesti-me. O mesmo fato, aquele fato horrivel e com cheiro a naftalina. E o penteado?tem que ser o mesmo de todos os dias, porque a sociadade nao permite penteados extravagantes. Os mesmo sapatos, porque não há dinheiro para mais.

Ao sair, olhei para dentro do meu apartamento. Pelo menos não parti o jarro que a mãe me ofereceu.

Nada mau para uma terça-feira normal.


(parte 1)